Operação investiga corrupção, fraude a licitações e lavagem de dinheiro na concessão de rodovias do estado.

Agentes da PF cumprem mandados de prisão temporária na 48ª fase da Lava-Jato
A Polícia Federal (PF) prendeu temporariamente seis pessoas na manhã
desta quinta-feira (22), na 48ª fase da Operação Lava Jato, batizada de
Integração. Um dos presos é o diretor-geral do Departamento de Estradas
de Rodagem no Paraná (DER-PR), Nelson Leal.
Esta é a primeira fase da Lava Jato em 2018 e, conforme a PF, apura
crimes como corrupção, fraude a licitações e lavagem de dinheiro na
concessão de rodovias do Paraná.
Atualização:
incialmente, a Polícia Federal havia informado que sete pessoas foram
presas. Mais tarde, durante coletiva de imprensa, os agentes corrigiram a
informação.
Os policiais também cumpriram mandados de busca e apreensão em três
estados, além do Paraná. Foram feitas buscas, nesta manhã, no Palácio
Iguaçu, sede do Governo do Paraná. Ao todo, 55 ordens judiciais foram
expedidas.
Segundo o procurador do Ministério Público Federal (MPF) Carlos
Fernandes Santos Lima, esta nova fase da operação tenta mostrar as "reais causas" do usuário pagar preços tão elevados pelo serviço público.
Foram presos
- Nelson Leal Júnior - diretor-geral do DER-PR
- Oscar Alberto Gayer da Silva - ex-funcionário do DER-PR
- Wellington de Melo Volpato - sócio da Eco Sul Brasil Construtora
- Helio Ogama - diretor-presidente da Triunfo Econorte
- Leonardo Guerra - administrador da empresa Rio Tibagi
- Sandro Antônio de Lima - funcionário da Econorte
O juiz Sérgio Moro, responsável pela Operação Lava Jato na primeira
instância, determinou o bloqueio de até R$ 20 milhões dos investigados.
"Considerando os indícios do envolvimento dos investigados em vários
episódios de intermediação de propina e de lavagem de dinheiro”,
explicou o juiz.
Casa Civil, que fica no Palácio do Iguaçu, sede do Governo do Paraná,
foi alvo de busca e apreensão nesta quinta-feira (22) (Foto: Gil
Bermudes/RPC)
Os alvos principais, de acordo com o Ministério Público Federal (MPF),
são servidores públicos e empresas investigadas por corrupção, lavagem
de dinheiro, associação criminosa e peculato.
Carlos Nasser, funcionário com cargo em comissão da Casa Civil, que
fica na sede do governo do Paraná, foi alvo de busca e apreensão. Ele é
considerado homem de confiança do governador Beto Richa (PSDB).
O advogado que defente a empresa Eco Sul Brasil e o empresário
Wellington de Melo Volpato, preso no aeroporto de Congonhas, disse que
por enquanto não vai se pronunciar sobre o caso, pois ainda não teve
acesso ao processo.
O G1 tenta contato com a defesa dos demais alvos da operação.
Por meio de nota oficial, o governador Beto Richa informou que
determinou uma investigação para apurar as suspeitas levantadas pela
força-tarefa. Este trabalho, conforme o governo estadual, será conduzido
pela Controladoria Geral do Estado.
Também há mandados de busca e apreensão sendo cumpridos na presidência
do Departamento de Estradas de Rodagem no Paraná (DER-PR) e na Companhia
de Tecnologia da Informação e Comunicação do Paraná (Celepar).
Polícia Federal na Celepar, na manhã desta quinta-feira (22) (Foto: Luíza Vaz/RPC)
O G1
entrou em contato com a Secretaria de Comunicação do Governo do Paraná,
que informou que a Celepar não vai se manifestar sobre a operação.
A secretaria informou que policiais federais estiveram na companhia
para buscar cópias de e-mails de funcionários do DER-PR alvos desta fase
da operação.
O DER-PR informou que se manifestará por meio de uma nota que será encaminhada pelo governo.
Os 55 mandados de busca e apreensão foram cumpridos nas seguintes
cidades: Londrina, Curitiba, Jataizinho, Paranavaí, no Paraná; em
Balneário Camboriú, em Santa Catarina; Rio de Janeiro; e São Paulo.
Servidores da Receita Federal e representantes do Ministério Público Federal (MPF) também participaram da ação.
Segundo a PF, uma dos concessionárias investigadas é a Econorte (Foto: Junior Evangelista/RPC)
Anel da Integração
De acordo com a PF, o foco desta etapa é a apurar casos de corrupção
envolvendo os procedimentos de concessão de rodovias federais do Paraná
que fazem parte do Anel da Integração.
Criado em 1997, o Anel da Integração interliga as principais cidades do
Paraná. São seis lotes de concessão de estradas federais por um prazo
de 24 anos. O Anel da Integração tem 2,4 mil quilômetros.
Segundo a PF, a concessionária Econorte usou os serviços dos operadores
Adir Assad e Rodrigo Tacla Duran, já investigados na Lava Jato, para
lavar dinheiro.
Ainda conforme a polícia, os operadores viabilizaram o pagamento de
propina a funcionários do Departamento Nacional de Infraestrutura de
Transportes (DNIT), do DER-PR e da Casa Civil do governo do Paraná.
O que dizem as defesas
O Dnit informou que os fatos apurados são anteriores à criação da
autarquia federal, que foi instituída por lei de 2001. O Departamento
esclareceu ainda que não participa de qualquer processo de concessão de
rodovias.
O órgão informou também que vai acompanhar as apurações e colaborar com
as autoridades, adotando as medidas que forem necessárias.
A concessionária Econorte foi procurada pelo G1, mas até a última atualização da matéria não respondeu aos questionamentos.
A Triunfo Participações e Investimentos, responsável pelas empresas Rio
Tibagi, Triunfo e Econorte, também não se pronunciou sobre a operação.
Dinheiro a empresas de fachada
De acordo com o MPF, a Econorte recebeu cerca de R$ 2,3 bilhões de
tarifas pagas pelos usuários entre 2005 e 2015. Deste total, pelo menos
R$ 63 milhões foram repassados, conforme o MPF, para empresas de fachada
ou sociedades cuja prestação de serviço ou entrega de produtos não foi
confirmada.
Uma subsidiária integral em contratos de conservação de rodovias
recebeu R$ 343 milhões e R$ 110 milhões, da subsidiária integral, foram
repassados a holding do grupo, segundo o MPF.
Superfaturamento
As perícias técnicas realizadas pelo MPF apontaram superfaturamento nos valores das obras das concessionárias.
Um laudo técnico, que usou como parâmetro a tabela do Sistema Nacional
de Pesquisa de Custos e Índices da Construção Civil (Sinapi), da Caixa
Econômica Federal, mostrou que o sobrepreço de itens da planilha chegou a
89% em relação ao valor de mercado.
Apesar de existir uma determinação do Tribunal de Contas da União (TCU)
e um estudo técnico que recomendava a redução da tarifa em 18%, a
Econorte foi favorecida por dois termos aditivos e um termo de ajuste
que aumentaram a tarifa paga pelo usuário em mais de 25%.
Então, ainda de acordo com o MPF, o DER-PR dizia ter necessidade de
reequilíbrio econômico-financeiro dos contratos. Esse valor a mais,
conforme o MPF, era usado para pagamentos indevidos.
Apartamento de luxo
Segundo as investigações, o diretor-geral do DER-PR, Nelson Leal, que
subscreveu os aditivos com a Econorte, comprou um apartamento de luxo em
Balneário Camboriú (SC) por R$ 2,5 milhões sem declarar à Receita
Federal.
Cerca de R$ 500 mil do valor total foram pagos em espécie ou, segundo o
MPF, com recursos que não tiveram a origem identificada nas contas do
investigado.
Além disso, as investigações levantaram evidências de que um
empresário, prestador de serviços de engenharia às concessionárias de
pedágio, custeou as despesas do aluguel de um iate de luxo do servidor
público.
Veja mais notícias do estado no G1 Paraná.
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