quarta-feira, 9 de novembro de 2011

A CAJUÍNA CRISTALINA EM TERESINA

 Deputada Iracema Portella (PP-PI)

Há 67 anos, em 9 de novembro de 1944, nascia em Teresina um dos mais importantes nomes da cultura brasileira contemporânea.
Torquato Pereira de Araújo Neto, o nosso Torquato Neto, inscreveu sua participação fundamental na formação do panorama musical e literário do Brasil, em meio à efervescência dos anos 60.
Morto precocemente aos 28 anos, Torquato permaneceu como nome máximo do Tropicalismo e da contracultura. Com o passar do tempo, porém, sua obra tem despertado interesse de modo individualizado, ensejando importante produção crítica acerca de sua poesia.
O conterrâneo que deixou a terra natal aos 17 anos e foi para São Paulo aventurar-se no mundo artístico, logo destacou-se em meio às vanguardas que então se organizavam.
Além do trabalho como jornalista, notabilizou-se como letrista; foi co-autor de algumas das mais icônicas canções da época - mais do que a própria Tropicália, de Caetano Veloso, sua Geléia Geral, em parceria com Gilberto Gil, logrou apresentar um extraordinário manifesto cultural do Tropicalismo, ali se evidenciando todo o pensamento e atitude artística daquela geração.
Além de Pra dizer Adeus, em parceria com Edu Lobo, que é até hoje considerada uma das mais belas canções brasileiras de todos os tempos, também assinou com Gil as extraordinárias Louvação e Soy Loco por ti America, que se tornaram verdadeiros marcos culturais do movimento.
Talvez seja esta a mais importante função da arte, a mais grandiosa missão do artista: desafinando o coro dos contentes, desafiando os  conceitos estagnados, lançando novos olhares sobre a realidade, a arte abre novas possibilidades de vivência humana e mobiliza de modo único as potencialidades do indivíduo e sua ação em sociedade.
Como poeta genial, Torquato Neto permaneceu descontente até às últimas consequências. A exemplo do que ocorreu com tantos outros grandes artistas, não duvidamos que seu processo depressivo tenha decorrido da extrema sensibilidade, do profundo sentimento de inadequação em um mundo degradado de valores e ausente de sentido.
Muito abatido com os rumos do Brasil na sequência do golpe militar de 64, continuou produzindo até 1972, quando finalmente partiu.
Encerro esta minha lembrança com texto de Caetano Veloso, composto em sua memória, alguns anos após sua morte, para a emocionante canção Cajuína:

Existirmos: a que será que se destina?
Pois quando tu me deste a rosa pequenina
Vi que és um homem lindo e que se acaso a sina
Do menino infeliz não se nos ilumina
Tampouco turva-se a lágrima nordestina
Apenas a matéria vida era tão fina
E éramos olharmo-nos intacta retina
A cajuína cristalina em Teresina.

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